GULA … prazer, compulsão, pecado capital…

A pergunta é, porque comemos por gula, mesmo quando estamos satisfeitos? Porque ultrapassamos os sinais de saciedade de nosso corpo diante de alimentos apetitosos?

Quais estratégias podemos usar para combater a gula?

 

Talvez a resposta à essas perguntas estão em nosso cérebro. Ao consumirmos alimentos ricos em gordura, açúcar e sal, os alimentos chamados palatáveis, estimulamos a liberação de neurotransmissores do prazer, como dopamina e serotonina. Os mesmos neurotransmissores que drogas ilícitas como cocaína e heroína ativam! É sim, nós somos viciados em comida!

A explicação pode vir de nossa evolução, já que nos tempos das cavernas o acesso aos alimentos era escasso e nosso organismo era “programado” para abocanhar o primeiro pedaço de comida que houvesse pela frente.

 

Além de nosso cérebro, outro órgão envolvido no controle do consumo alimentar é o intestino, também conhecido como segundo cérebro. No intestino são produzidos diversos neurotransmissores, entre os quais figuram também serotonina e dopamina, que apresentam ação local. Vários estudos indicam que a flora intestinal de pessoas obesas é diferente de pessoas magras. Então, talvez seria interessante nutrirmos as bactérias saudáveis da flora (probióticos) com intuito de melhorar o apetite e perda de peso.

 

O que com certeza podemos afirmar é que a gula e a obesidade são um ciclo viciante. Você come alimentos palatáveis, ricos em gordura, açúcar e sal, e consequentemente pobre em nutrientes e fibras, na grande maioria das vezes. Com isso, nutre as bactérias patogénicas do intestino e diminui os probióticos, estimula a liberação de neurotransmissores que geram vicio a esse tipo de comida, te levando a consumir mais e mais, alimentos calóricos. O que gera aumento do processo inflamatório, e consequente resistência a insulina, além de outros desequilíbrios metabólicos, tudo isso fazendo você consumir ainda mais açúcar e alimentos gordurosos!!!! Uma imensa bola de neve, que te deixa gordo e doente.

Mas como podemos burlar esses mecanismos e combatermos a gula?

  1. Nutra seu intestino com fibras, prebióticos e probióticos. Consuma frutas, legumes e verduras. Cereais integrais como aveia, quinua, chia, linhaça, etc. Use ervas digestivas e carminativas como camomila, hortelã, alecrim, etc. Chicória, batata yakon, alho poró, banana verde são alimentos que favorecem o crescimento das bactérias boas. Se necessário use suplementação de probiótico (consulte seu nutricionista ou médico)
  2. Evite comprar alimentos que despertam o vício. Se você tiver “a mão” fica muito mais fácil cair em tentação. Desvie o caminho de um restaurante ou lanchonete que ativa seu lado “junkie”, mude a rota. Seu cérebro pode disparar o circulo vicioso apenas em ver ou sentir o cheiro do alimento.
  3. Não conte calorias! É a qualidade delas, e não a quantidade, que irão gerar seu controle alimentar. Faça trocas saudáveis que proporcionam saciedade pois com fome você come o que tiver pela frente.
  4. No início da reeducação alimentar não varie muito o prato, peça o de sempre! Ao consumir a mesma coisa você desenvolve a chamada saciedade de sabor específico: se acostuma com o gosto que deixa de ser tão tentador. Aplique nos alimentos calóricos.
  5. Lembre se do que comeu. Fazer um diário alimentar, mesmo que mentalmente, te ajuda a avaliar como estão suas escolhas alimentares e a calcular melhor as consequências de mais ingestão de calorias. Se você exagerou no almoço, tente maneirar no lanche da tarde e jantar.
  6. Um pedacinho só NÃO!!! Se apenas o cheiro pode despertar os neurônios de recompensa, imagina uma mordida. Não engane!!!
  7. Conheça as suas fraquezas! O autoconhecimento ajuda a controlar a gula. Se você gosta de ficar beliscando, não deixe comida a mesa, se gosta de prato cheio, escolha um prato pequeno e espalhe a comida no prato, se é compulsivo evite rodízios.
  8. Aprimore o paladar. Associamos o sabor amargo a alimentos tóxicos. Mas do mesmo jeito que você aprendeu a gostar de cerveja e café devido aos momentos sociais, você pode também fazer com os vegetais. Se esforce!
  9. Desligue a TV, celular ou outros eletrônicos enquanto você come. Focar no ato de se alimentar ativa os neurotransmissores do prazer, além de você perceber o sabor dos alimentos quanto está comendo. Comer é muito bom, então deguste cada garfada e se concentre no que está em sua boca.
  10. Tenha pensamento negativo em relação aos alimentos não saudáveis e viciante, como por exemplo: “Hummm… Que delicia esse hambúrguer!!! Eu quero!!!” Ao invés disso reflita… “ Isso pode me dar prazer agora, mas me fará mal depois…” Todas as pessoas tem um ponto fraco, pode ser doce, fritura, hambúrguer, pães, massas, etc. O que diferencia as pessoas, que comem esses alimentos com frequência e/ou gula das pessoas que comem eventualmente e/ou em pequena quantidade, é a consciência sobre o mal que esses alimentos geram. A conclusão é “Nossa!!! É muito bom!!! Mas não vale pagar o preço que ele me causa!!!” Por isso leia, se informe sobre nutrição e alimentação saudável.
  11. Relaxe e durma bem!!! Os hormônios do estresse se atam aos receptores de prazer no cérebro e aumentam o desejo por comida calórica. Medite, faça exercício, ouça uma música, converse com um amigo, tome um banho quente no escuro, faça massagem…

Espero ter contribuído para você poder comemorar o dia da GULA com moderação e consciência alimentar.

E não se esqueça, para reeducação alimentar o nutricionista é seu melhor aliado!!!

Viviane Nunner
Nutricionista Funcional – CRN3: 15256
Membro da Acad. Bras. de Nutrição Funcional
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